O orçamento base zero é um método em que você dá uma função a cada centavo da sua renda no começo do mês. Aluguel, mercado, contas, poupança e até o "dinheiro para gastar como quiser" ganham uma linha. Quando você subtrai todas as linhas da renda, o resultado tem que ser zero: não sobra buraco nem dinheiro que "sumiu sem você saber para onde".
Provavelmente você também já olhou a conta no fim do mês e pensou "mas o que foi que eu fiz este mês?". Na maioria das vezes o problema não são os gastos grandes, e sim o dinheiro sem função que vai derretendo aos pouquinhos. O orçamento base zero fecha exatamente essa brecha.
O que é orçamento base zero?
O orçamento base zero (zero-based budgeting) é um método de planejamento em que você distribui toda a sua renda em categorias no começo do mês e não deixa nenhum valor sem destino. A fórmula cabe em uma linha: renda menos dinheiro distribuído é igual a zero.
Não entenda mal a palavra "zero": você não precisa zerar a sua conta. Poupança, reserva de emergência e investimento também são categorias. Ou seja, pode sobrar dinheiro na conta no fim do mês; o importante é que esse dinheiro também tenha recebido uma função antes.
O método nasceu nas empresas. Ele foi criado nos anos 1970, no orçamento corporativo, contra o hábito de "pegar o orçamento do ano passado e aumentar um pouco": cada item precisa ser justificado do zero em cada período. Nas finanças pessoais a lógica é a mesma. Em vez de repetir o que você gastou no mês passado, você decide de novo, todo mês, para onde o dinheiro vai.
Por que funciona?
A maioria dos orçamentos foca em limitar o gasto. O orçamento base zero faz você decidir primeiro, e o gasto vem depois.
- Não sobra dinheiro sem função. O dinheiro "parado" na conta é o mais fácil de gastar. Quando cada centavo está ligado a uma linha, uma compra não planejada significa tirar de outra linha, e você percebe isso.
- A poupança não fica para o final. No esquema tradicional você gasta primeiro e guarda o que sobra. Aqui a poupança também ganha uma linha no começo do mês, ou seja, ela vem do plano e não da sobra.
- Gastos irregulares deixam de ser surpresa. Para despesas como seguro anual, manutenção do carro ou material escolar, você pode separar uma pequena parte todo mês. Quando chega o mês delas, o dinheiro já está pronto.
- Você repensa tudo todo mês. Aquela assinatura que você nem usa mais aparece quando você vai escrevê-la no orçamento. Os itens pagos por puro hábito ficam visíveis sozinhos.
Como fazer um orçamento base zero em 6 passos?
A primeira montagem leva mais ou menos uma hora. Nos meses seguintes, copiar o plano do mês anterior e atualizar não passa de vinte minutos.
- Anote a sua renda líquida deste mês. Escreva só o dinheiro que você tem certeza de que vai entrar. Se a sua renda varia, o mais seguro é usar como base a menor dos últimos três meses.
- Liste os gastos fixos. Aluguel, condomínio, contas, parcelas de empréstimo, celular e assinaturas. São gastos cujo valor muda pouco e que não dá para adiar.
- Trate poupança e dívida como gasto fixo. Defina agora quanto vai para a reserva de emergência, para a poupança e para pagar dívida além do mínimo. Não "se sobrar" no fim do mês, e sim "tanto" no começo do mês.
- Separe uma parte para os gastos variáveis. Mercado, transporte, comer fora, roupas, lazer. Se você definir os valores olhando os gastos reais do mês passado, a sua estimativa fica perto da realidade. Se ainda não sabe para onde o seu dinheiro vai, comece pelo nosso guia para onde vai o seu dinheiro.
- Divida os gastos irregulares pelos meses. Some tudo o que você paga uma vez por ano, divida por doze e separe essa parte todo mês.
- Zere a diferença. Subtraia todas as linhas da renda. Se o resultado for positivo, dê o que sobrou a uma categoria, quase sempre a poupança. Se for negativo, corte dos gastos variáveis até chegar a zero. Fixos e poupança devem ser as últimas linhas a sofrer corte.
Se o dinheiro de uma categoria acabar no meio do mês, você pode transferir de outra categoria. A regra é uma só: depois da transferência, o total continua zero. É isso que deixa o método flexível, mas honesto.
Exemplo: um mês base zero com renda de 3.000 €
O plano de começo de mês de alguém que mora sozinho e ganha 3.000 € líquidos por mês pode ser assim:
Gastos fixos
- Aluguel e condomínio: 1.000 €
- Luz, água, gás e internet: 170 €
- Celular e assinaturas: 60 €
Poupança e futuro
- Reserva de emergência: 270 €
- Poupança e investimento: 330 €
- Parte dos gastos anuais (seguro, manutenção, feriados e festas de fim de ano): 130 €
Gastos variáveis
- Mercado: 470 €
- Transporte: 170 €
- Comer fora: 130 €
- Cuidados pessoais e roupas: 100 €
- Lazer: 100 €
- Margem de folga: 70 €
O total dá 3.000 €; renda menos dinheiro distribuído é igual a zero. Quase um quarto da renda (730 €) já foi separado para o futuro antes mesmo de o mês começar. A margem de folga serve para os pequenos gastos esquecidos ou inesperados: um presente de aniversário, um carregador que quebrou.
5 erros comuns
O método é simples, mas nos primeiros meses é fácil cair em algumas armadilhas. Todas têm solução.
- Contar o salário bruto como renda. O orçamento é montado com o dinheiro que cai na sua conta. Um orçamento feito com o valor antes dos descontos fica no vermelho já na primeira semana.
- Não deixar margem de folga. Amarrar cada centavo parece lindo no papel. Mas na vida real sempre aparece uma surpresa. Uma pequena linha de folga impede que o orçamento desmorone no primeiro imprevisto.
- Esquecer os gastos irregulares. Se o orçamento "estourou" quando chegou o seguro ou a revisão do carro, esse gasto sempre existiu, só não tinha uma linha. Basta fazer a lista anual uma vez.
- Não olhar no meio do mês. O orçamento base zero é montado no começo do mês, mas vive durante o mês. Reserve cinco minutos por semana para ver quanto cada categoria já encheu.
- Ignorar a categoria que estourou. Se a parte do mercado acabou e você continua gastando, o orçamento cai abaixo de zero em silêncio. Transferir dinheiro é permitido; gastar sem transferir, não.
Orçamento base zero ou outros métodos?
Os métodos de orçamento não são rivais, são respostas para perguntas diferentes. Uma comparação rápida para você escolher o que combina com você:
- Regra 50/30/20: divide a sua renda em três grandes proporções. É rápida de montar, mas não entra em detalhes. O orçamento base zero distribui o mesmo dinheiro linha por linha. Você pode usar o 50/30/20 como uma moldura geral e preencher o interior com o base zero.
- Método dos envelopes: coloca limites nas categorias e interrompe o gasto quando o limite é atingido. O orçamento base zero responde "para onde vai todo o dinheiro", o método dos envelopes responde "quando devo parar nesta categoria". Os dois funcionam muito bem juntos.
- Kakeibo: traz consciência ao anotar os gastos e foca no balanço do fim do mês. Se você prefere trabalhar com perguntas em vez de números, o kakeibo pode ser um começo mais suave.
Se saber o destino de cada centavo te cansa, vá de 50/30/20; se você tem dificuldade para colocar limites, o método dos envelopes; se quer assumir o controle total do seu dinheiro, o orçamento base zero é uma boa escolha.
Como montar o orçamento base zero no Pumpynotes?
No Pumpynotes você pode fazer o plano em uma nota e acompanhar o gasto real na página Finanças:
- Monte o plano em uma tabela. Abra uma nova nota, digite
/em uma linha vazia e adicione o bloco "Tabela". Escreva as categorias na primeira coluna e os valores na segunda. Na última célula, coloque o total com=SUM(...)e, logo abaixo, uma fórmula que subtrai o total da renda. Quando o resultado for zero, o seu orçamento está pronto. As fórmulas estão liberadas em todos os planos. - Dê um limite aos orçamentos por categoria. Na página Finanças você pode colocar um limite mensal em cada categoria de despesa. Conforme você gasta, a barra enche e você vê pela cor o quanto está perto do limite. No Pumpynotes os orçamentos funcionam por mês e recomeçam sozinhos todo mês. No plano Free você pode definir orçamento para uma categoria; para todas as categorias é preciso o Pro ou acima.
- Transforme os fixos em transações recorrentes. Basta criar uma transação recorrente para aluguel, contas e assinaturas. Ao ativar "Próximos" na tabela de transações, você vê também os pagamentos com data futura, e não precisa escrever as mesmas linhas do zero todo mês.
- Veja os pagamentos no calendário. Cada transação aparece também no seu calendário, na própria data. Num relance você percebe quais pagamentos estão na fila antes do dia do salário.
A configuração geral do acompanhamento do orçamento está detalhada no nosso guia de receitas, despesas e assinaturas.
O Pumpynotes é gratuito. Junte seu calendário, suas notas e seu orçamento em um único espaço de trabalho e dê uma função a cada centavo logo no começo do mês.
Perguntas frequentes
O que é orçamento base zero?
O orçamento base zero é um método em que você distribui toda a sua renda em categorias no começo do mês. Quando você subtrai da renda todos os valores distribuídos, o resultado é zero. Como poupança e reserva de emergência também são categorias, pode sobrar dinheiro na conta; o importante é que cada centavo tenha uma função.
Orçamento base zero significa zerar a conta?
Não. O zero se refere à diferença entre a renda e o valor planejado, não ao saldo da conta. O dinheiro que você separa para a poupança continua na conta; você só deu a ele a função de "poupança" no começo do mês.
Dá para fazer orçamento base zero se a minha renda muda todo mês?
Dá. O caminho mais seguro é montar o orçamento com base na menor renda dos últimos três meses. Nos meses em que você ganhar mais, a diferença pode ir para a poupança ou para o orçamento do mês seguinte. Assim um mês fraco não derruba o seu orçamento.
O que fazer se o dinheiro de uma categoria acabar?
Você pode transferir dinheiro de outra categoria, mas o total precisa continuar em zero. Por exemplo, se você transferir da parte do lazer para o mercado, o valor separado para lazer naquele mês diminui. Se a mesma categoria estoura todo mês, o mais certo é aumentar essa linha no plano do mês seguinte.
Qual é a diferença entre o orçamento base zero e a regra 50/30/20?
A regra 50/30/20 divide a renda em três grandes proporções: necessidades, desejos e poupança. O orçamento base zero atribui cada centavo, um por um, a uma categoria. O 50/30/20 é mais rápido de montar, o base zero dá mais controle. Também dá para usar os dois juntos.
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