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Orçamento base zero: dê uma função a cada centavo no começo do mês

Orçamento base zero é dar uma função a cada centavo da sua renda no começo do mês, até a diferença entre a renda e o gasto planejado chegar a zero. Neste guia você vê a lógica do método, como montá-lo em seis passos, um mês de exemplo com números, os erros mais comuns e o que o diferencia dos outros métodos de orçamento.

Orçamento base zero: dê uma função a cada centavo no começo do mês

O orçamento base zero é um método em que você dá uma função a cada centavo da sua renda no começo do mês. Aluguel, mercado, contas, poupança e até o "dinheiro para gastar como quiser" ganham uma linha. Quando você subtrai todas as linhas da renda, o resultado tem que ser zero: não sobra buraco nem dinheiro que "sumiu sem você saber para onde".

Provavelmente você também já olhou a conta no fim do mês e pensou "mas o que foi que eu fiz este mês?". Na maioria das vezes o problema não são os gastos grandes, e sim o dinheiro sem função que vai derretendo aos pouquinhos. O orçamento base zero fecha exatamente essa brecha.

O que é orçamento base zero?

O orçamento base zero (zero-based budgeting) é um método de planejamento em que você distribui toda a sua renda em categorias no começo do mês e não deixa nenhum valor sem destino. A fórmula cabe em uma linha: renda menos dinheiro distribuído é igual a zero.

Não entenda mal a palavra "zero": você não precisa zerar a sua conta. Poupança, reserva de emergência e investimento também são categorias. Ou seja, pode sobrar dinheiro na conta no fim do mês; o importante é que esse dinheiro também tenha recebido uma função antes.

O método nasceu nas empresas. Ele foi criado nos anos 1970, no orçamento corporativo, contra o hábito de "pegar o orçamento do ano passado e aumentar um pouco": cada item precisa ser justificado do zero em cada período. Nas finanças pessoais a lógica é a mesma. Em vez de repetir o que você gastou no mês passado, você decide de novo, todo mês, para onde o dinheiro vai.

Por que funciona?

A maioria dos orçamentos foca em limitar o gasto. O orçamento base zero faz você decidir primeiro, e o gasto vem depois.

  • Não sobra dinheiro sem função. O dinheiro "parado" na conta é o mais fácil de gastar. Quando cada centavo está ligado a uma linha, uma compra não planejada significa tirar de outra linha, e você percebe isso.
  • A poupança não fica para o final. No esquema tradicional você gasta primeiro e guarda o que sobra. Aqui a poupança também ganha uma linha no começo do mês, ou seja, ela vem do plano e não da sobra.
  • Gastos irregulares deixam de ser surpresa. Para despesas como seguro anual, manutenção do carro ou material escolar, você pode separar uma pequena parte todo mês. Quando chega o mês delas, o dinheiro já está pronto.
  • Você repensa tudo todo mês. Aquela assinatura que você nem usa mais aparece quando você vai escrevê-la no orçamento. Os itens pagos por puro hábito ficam visíveis sozinhos.

Como fazer um orçamento base zero em 6 passos?

A primeira montagem leva mais ou menos uma hora. Nos meses seguintes, copiar o plano do mês anterior e atualizar não passa de vinte minutos.

  1. Anote a sua renda líquida deste mês. Escreva só o dinheiro que você tem certeza de que vai entrar. Se a sua renda varia, o mais seguro é usar como base a menor dos últimos três meses.
  2. Liste os gastos fixos. Aluguel, condomínio, contas, parcelas de empréstimo, celular e assinaturas. São gastos cujo valor muda pouco e que não dá para adiar.
  3. Trate poupança e dívida como gasto fixo. Defina agora quanto vai para a reserva de emergência, para a poupança e para pagar dívida além do mínimo. Não "se sobrar" no fim do mês, e sim "tanto" no começo do mês.
  4. Separe uma parte para os gastos variáveis. Mercado, transporte, comer fora, roupas, lazer. Se você definir os valores olhando os gastos reais do mês passado, a sua estimativa fica perto da realidade. Se ainda não sabe para onde o seu dinheiro vai, comece pelo nosso guia para onde vai o seu dinheiro.
  5. Divida os gastos irregulares pelos meses. Some tudo o que você paga uma vez por ano, divida por doze e separe essa parte todo mês.
  6. Zere a diferença. Subtraia todas as linhas da renda. Se o resultado for positivo, dê o que sobrou a uma categoria, quase sempre a poupança. Se for negativo, corte dos gastos variáveis até chegar a zero. Fixos e poupança devem ser as últimas linhas a sofrer corte.

Se o dinheiro de uma categoria acabar no meio do mês, você pode transferir de outra categoria. A regra é uma só: depois da transferência, o total continua zero. É isso que deixa o método flexível, mas honesto.

Exemplo: um mês base zero com renda de 3.000 €

O plano de começo de mês de alguém que mora sozinho e ganha 3.000 € líquidos por mês pode ser assim:

Gastos fixos

  • Aluguel e condomínio: 1.000 €
  • Luz, água, gás e internet: 170 €
  • Celular e assinaturas: 60 €

Poupança e futuro

  • Reserva de emergência: 270 €
  • Poupança e investimento: 330 €
  • Parte dos gastos anuais (seguro, manutenção, feriados e festas de fim de ano): 130 €

Gastos variáveis

  • Mercado: 470 €
  • Transporte: 170 €
  • Comer fora: 130 €
  • Cuidados pessoais e roupas: 100 €
  • Lazer: 100 €
  • Margem de folga: 70 €

O total dá 3.000 €; renda menos dinheiro distribuído é igual a zero. Quase um quarto da renda (730 €) já foi separado para o futuro antes mesmo de o mês começar. A margem de folga serve para os pequenos gastos esquecidos ou inesperados: um presente de aniversário, um carregador que quebrou.

5 erros comuns

O método é simples, mas nos primeiros meses é fácil cair em algumas armadilhas. Todas têm solução.

  • Contar o salário bruto como renda. O orçamento é montado com o dinheiro que cai na sua conta. Um orçamento feito com o valor antes dos descontos fica no vermelho já na primeira semana.
  • Não deixar margem de folga. Amarrar cada centavo parece lindo no papel. Mas na vida real sempre aparece uma surpresa. Uma pequena linha de folga impede que o orçamento desmorone no primeiro imprevisto.
  • Esquecer os gastos irregulares. Se o orçamento "estourou" quando chegou o seguro ou a revisão do carro, esse gasto sempre existiu, só não tinha uma linha. Basta fazer a lista anual uma vez.
  • Não olhar no meio do mês. O orçamento base zero é montado no começo do mês, mas vive durante o mês. Reserve cinco minutos por semana para ver quanto cada categoria já encheu.
  • Ignorar a categoria que estourou. Se a parte do mercado acabou e você continua gastando, o orçamento cai abaixo de zero em silêncio. Transferir dinheiro é permitido; gastar sem transferir, não.

Orçamento base zero ou outros métodos?

Os métodos de orçamento não são rivais, são respostas para perguntas diferentes. Uma comparação rápida para você escolher o que combina com você:

  • Regra 50/30/20: divide a sua renda em três grandes proporções. É rápida de montar, mas não entra em detalhes. O orçamento base zero distribui o mesmo dinheiro linha por linha. Você pode usar o 50/30/20 como uma moldura geral e preencher o interior com o base zero.
  • Método dos envelopes: coloca limites nas categorias e interrompe o gasto quando o limite é atingido. O orçamento base zero responde "para onde vai todo o dinheiro", o método dos envelopes responde "quando devo parar nesta categoria". Os dois funcionam muito bem juntos.
  • Kakeibo: traz consciência ao anotar os gastos e foca no balanço do fim do mês. Se você prefere trabalhar com perguntas em vez de números, o kakeibo pode ser um começo mais suave.

Se saber o destino de cada centavo te cansa, vá de 50/30/20; se você tem dificuldade para colocar limites, o método dos envelopes; se quer assumir o controle total do seu dinheiro, o orçamento base zero é uma boa escolha.

Como montar o orçamento base zero no Pumpynotes?

No Pumpynotes você pode fazer o plano em uma nota e acompanhar o gasto real na página Finanças:

  • Monte o plano em uma tabela. Abra uma nova nota, digite / em uma linha vazia e adicione o bloco "Tabela". Escreva as categorias na primeira coluna e os valores na segunda. Na última célula, coloque o total com =SUM(...) e, logo abaixo, uma fórmula que subtrai o total da renda. Quando o resultado for zero, o seu orçamento está pronto. As fórmulas estão liberadas em todos os planos.
  • Dê um limite aos orçamentos por categoria. Na página Finanças você pode colocar um limite mensal em cada categoria de despesa. Conforme você gasta, a barra enche e você vê pela cor o quanto está perto do limite. No Pumpynotes os orçamentos funcionam por mês e recomeçam sozinhos todo mês. No plano Free você pode definir orçamento para uma categoria; para todas as categorias é preciso o Pro ou acima.
  • Transforme os fixos em transações recorrentes. Basta criar uma transação recorrente para aluguel, contas e assinaturas. Ao ativar "Próximos" na tabela de transações, você vê também os pagamentos com data futura, e não precisa escrever as mesmas linhas do zero todo mês.
  • Veja os pagamentos no calendário. Cada transação aparece também no seu calendário, na própria data. Num relance você percebe quais pagamentos estão na fila antes do dia do salário.

A configuração geral do acompanhamento do orçamento está detalhada no nosso guia de receitas, despesas e assinaturas.

O Pumpynotes é gratuito. Junte seu calendário, suas notas e seu orçamento em um único espaço de trabalho e dê uma função a cada centavo logo no começo do mês.

Perguntas frequentes

O que é orçamento base zero?

O orçamento base zero é um método em que você distribui toda a sua renda em categorias no começo do mês. Quando você subtrai da renda todos os valores distribuídos, o resultado é zero. Como poupança e reserva de emergência também são categorias, pode sobrar dinheiro na conta; o importante é que cada centavo tenha uma função.

Orçamento base zero significa zerar a conta?

Não. O zero se refere à diferença entre a renda e o valor planejado, não ao saldo da conta. O dinheiro que você separa para a poupança continua na conta; você só deu a ele a função de "poupança" no começo do mês.

Dá para fazer orçamento base zero se a minha renda muda todo mês?

Dá. O caminho mais seguro é montar o orçamento com base na menor renda dos últimos três meses. Nos meses em que você ganhar mais, a diferença pode ir para a poupança ou para o orçamento do mês seguinte. Assim um mês fraco não derruba o seu orçamento.

O que fazer se o dinheiro de uma categoria acabar?

Você pode transferir dinheiro de outra categoria, mas o total precisa continuar em zero. Por exemplo, se você transferir da parte do lazer para o mercado, o valor separado para lazer naquele mês diminui. Se a mesma categoria estoura todo mês, o mais certo é aumentar essa linha no plano do mês seguinte.

Qual é a diferença entre o orçamento base zero e a regra 50/30/20?

A regra 50/30/20 divide a renda em três grandes proporções: necessidades, desejos e poupança. O orçamento base zero atribui cada centavo, um por um, a uma categoria. O 50/30/20 é mais rápido de montar, o base zero dá mais controle. Também dá para usar os dois juntos.

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