O método dos envelopes é um sistema de orçamento que divide sua renda em categorias de gasto e dá a cada uma um limite mensal. Na forma clássica você prepara um envelope por categoria, coloca dentro o dinheiro daquele mês e, quando o envelope esvazia, o gasto naquela categoria acaba.
O método tem um problema: foi desenhado para dinheiro vivo. A força dele vinha de ver o envelope afinar, de segurar a última nota na mão e de precisar parar quando acabava. Hoje a maioria de nós paga com cartão ou celular e nem sente o saldo baixando.
Neste guia vamos definir o método rapidamente, depois falar da única coisa que o separa dos outros métodos de orçamento e então mostrar três formas de montar envelopes sem carregar dinheiro vivo, além de com quantos começar. No final tem uma seção honesta: este método não funciona para todo mundo.
O que é o método dos envelopes?
O método dos envelopes é um sistema de orçamento em que você divide o dinheiro do mês em categorias com antecedência e dá a cada categoria o seu próprio limite. Mercado, transporte, comer fora, lazer: cada item recebe sua parte no começo do mês. Você gasta dessa parte e, quando ela acaba, fecha aquela categoria até o fim do mês.
A lógica é simples. Em vez de olhar o dinheiro depois de gastar, você divide antes. A decisão é tomada uma vez, no começo do mês, e você não precisa tomá-la de novo em cada caixa.
O método vem da época em que os salários eram pagos em dinheiro, na mão. O interessante é isto: nos últimos anos ele parece ter voltado a ficar popular nas redes sociais, principalmente entre os mais jovens. Se na era do pagamento em um clique, das assinaturas que se renovam sozinhas e do cartão por aproximação as pessoas estão voltando a contar notas na mão, existe um motivo. Ele está na próxima seção.
O que um envelope faz de verdade: ele não acompanha, ele interrompe
A maioria dos métodos de orçamento conta o que aconteceu. O método dos envelopes impede que aconteça. A diferença parece pequena e muda tudo na prática.
Vamos comparar com os dois métodos sobre os quais já escrevemos:
- A regra 50/30/20 te dá proporções. Cinquenta por cento da renda para necessidades, trinta para desejos, vinte para poupança. Um ótimo enquadramento, mas nada te segura enquanto o cartão está na maquininha. Você descobre no fim do mês que não fechou a proporção.
- Kakeibo te dá consciência. Antes de cada compra você para e pergunta se realmente precisa daquilo. Um hábito forte, mas que depende inteiramente da sua vontade naquele momento.
- O método dos envelopes te dá uma parede. Se o envelope está vazio, o gasto termina. A força de vontade nem entra em cena, porque não sobrou nada para decidir.
É exatamente por isso que as pessoas estão voltando ao dinheiro vivo. Pagar com cartão não tem atrito nenhum. Você não vê seu saldo, não sente limite e só percebe depois que o dinheiro foi embora. Contar notas na mão cria um atrito artificial, e esse atrito funciona.
Se você está se perguntando qual dos dois combina mais com você, dê uma olhada na nossa comparação 50/30/20 ou kakeibo. O método dos envelopes não é uma alternativa a esses dois, é uma camada que você monta em cima.
Como montar envelopes se você não anda com dinheiro vivo?
A boa notícia: para o método funcionar, o envelope não precisa ser de papel. Basta um limite ligado a uma categoria e um lugar que mostre quanto desse limite você já gastou. Existem três caminhos.
1. Abrir uma conta separada. Seus gastos fixos ficam em uma conta e os variáveis em outra. No começo do mês você transfere a parte variável para lá e paga com o cartão daquela conta. É a versão mais rígida, porque o dinheiro está separado de verdade. O ponto fraco: você não consegue abrir uma conta por categoria, no máximo duas ou três separações. No Pumpynotes você acompanha essa separação com carteiras. Você mantém cada conta como uma carteira e lança você mesmo cada gasto na carteira de onde ele saiu. O plano Free permite uma carteira, mais de uma está no Pro e acima.
2. Colocar limites por categoria. O dinheiro fica em uma conta só e o limite vive no software. Você dá a cada categoria de gasto um limite mensal, o preenchimento sobe conforme você gasta e você vê a qualquer momento quanto já usou. Não precisa abrir conta nenhuma, e o número de categorias é bem mais flexível que o de contas. A seção Orçamento do Pumpynotes faz exatamente isso. Não precisa procurar nenhum "envelope" no aplicativo; aqui o equivalente do envelope é um orçamento por categoria: você escolhe uma categoria de gasto, dá a ela um limite mensal e cada orçamento aparece como uma barra na página Finanças.
3. Montar um híbrido. É o que mais funciona na prática. Os gastos que já são fixos, como aluguel, contas e assinaturas, ficam em uma conta à parte e não ganham envelope, porque já estão definidos. Os gastos variáveis ganham limites por categoria. Assim os fixos não atrapalham e o número de envelopes continua administrável.
O envelope digital tem duas vantagens reais sobre o de papel. A primeira: você não precisa contar nada para saber como está. Com envelope de papel é preciso abrir e contar as notas; na página Finanças cada orçamento fica ali como uma barra, e a parte preenchida mostra quanto você já gastou naquele mês. Passando o mouse por cima, você vê também o valor gasto e o limite em números. A segunda: seu dinheiro fica na sua conta. Você não guarda dinheiro vivo em casa, então não tem o que perder.
No plano Free você pode definir orçamento para uma categoria. Dar orçamento a mais de uma categoria está disponível no Pro e acima. Começar com um único envelope também funciona, e na próxima seção dizemos por qual começar.
Quantos envelopes você deve abrir?
O erro mais comum de quem começa é abrir demais. Quem coloca limite em quinze categorias para de acompanhar todas em duas semanas, porque o sistema ficou mais complicado que a vida que ele deveria organizar.
Comece com três a cinco. A regra: só abra envelope para gastos variáveis e controláveis. O aluguel já é fixo, envelope ali não adianta nada. A conta de luz é controlável, mas varia pouco de um mês para o outro. O dinheiro de verdade vaza onde o valor muda todo mês e sobe ou desce com as suas próprias decisões.
Um conjunto inicial que funciona:
- Mercado. Costuma ser o maior item variável e cresce em silêncio com compras pequenas.
- Comer fora e café. Pequeno um a um, surpreendente no total. É aqui que quase todo mundo toma o primeiro susto.
- Lazer e compras. A maior parte do gasto não planejado cai neste título.
- Transporte. Combustível, transporte público, corridas curtas.
Se você vai começar com um único envelope, comece por comer fora e café. O motivo: esse item está inteiramente nas suas mãos e o total mensal real dele é muito difícil de estimar sem medir. Só medir por um mês já muda suas decisões no mês seguinte.
Se você não sabe o que colocar nos envelopes, precisa medir por um mês antes. Nosso guia de receitas, despesas e assinaturas é um bom ponto de partida para juntar tudo em uma tela só.
Para quem o método dos envelopes não funciona?
Não vamos pular esta seção, porque o método dos envelopes não serve para todo mundo.
- Fica difícil se sua renda é irregular. Se você trabalha por conta própria ou sua renda muda de mês para mês, pode não haver um valor claro para dividir no começo do mês. Nesse caso monte os envelopes sobre a renda realizada do mês passado, não sobre a sua estimativa.
- Se os gastos fixos comem a maior parte da sua renda, o método não te diz nada de novo. Quando aluguel, contas e parcelas de dívida levam quase tudo, não sobra folga para dividir em envelopes. Nessa situação o que precisa ser revisto primeiro são os gastos fixos.
- Comprar parcelado quebra a lógica. O dinheiro da compra de hoje sai dos meses seguintes, então o envelope deste mês não mostra a realidade. Compras parceladas são melhor acompanhadas como um item separado.
- Não force se medir cada centavo te cansa. Para algumas pessoas um sistema com limites motiva; para outras sufoca. Se você é do segundo tipo, um método mais leve como o kakeibo pode durar bem mais.
Existe também uma crítica conhecida ao próprio método: na versão em dinheiro vivo o dinheiro fica em casa, então pode se perder e não rende juros nem retorno. O envelope digital elimina os dois problemas, porque seu dinheiro fica na conta e só o limite é você quem coloca.
O Pumpynotes é gratuito. Divida seus gastos em categorias e crie hoje o seu primeiro orçamento por categoria.
Perguntas frequentes
O que é o método dos envelopes?
O método dos envelopes é um sistema de orçamento que divide a renda do mês em categorias de gasto e dá a cada categoria o seu próprio limite. Na forma clássica se prepara um envelope por categoria e, quando o dinheiro de dentro acaba, o gasto daquela categoria para até o fim do mês. O objetivo dele não é acompanhar o gasto, e sim impedir de saída que você ultrapasse o limite.
Dá para aplicar o método dos envelopes sem dinheiro vivo?
Dá. O que o método precisa não é de um envelope de papel, e sim de um limite ligado a uma categoria e de um lugar que mostre quanto dele você já gastou. Você monta isso abrindo uma conta separada, dando limites mensais às categorias de gasto ou combinando as duas coisas. A versão digital tem uma vantagem própria: com envelope de papel é preciso abrir e contar, enquanto no orçamento por categoria cada limite fica na página Finanças como uma barra.
Quantos envelopes devo abrir?
De três a cinco basta para a maioria das pessoas. Só abra envelope para itens cujo valor muda todo mês e se move com as suas decisões: mercado, comer fora, lazer e transporte. Aluguel e contas já são fixos, então envelope ali é desnecessário. Abrir muitos envelopes complica o sistema e aumenta a chance de você largar tudo rápido.
Qual é a diferença entre o método dos envelopes e a regra 50/30/20?
A regra 50/30/20 divide sua renda em três grandes proporções e te dá um enquadramento, mas não tem nenhum mecanismo que te pare na hora de gastar. O método dos envelopes coloca um limite concreto em cada categoria e encerra o gasto quando esse limite acaba. Eles não são alternativas: você pode definir as proporções com 50/30/20 e administrar com envelopes o gasto variável que existe dentro delas.
O que fazer quando o dinheiro do envelope acaba?
O ideal é fechar aquela categoria até o fim do mês, porque é justamente disso que depende o método funcionar. Se houver algo inevitável, pegue emprestado de outro envelope e faça isso conscientemente, recalculando os dois. Se é sempre o mesmo envelope que acaba, o problema não é a sua disciplina, e sim um valor pouco realista; aumente esse item no mês seguinte e diminua outro.
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